GOVERNOS, CORRUPÇÃO E REVOLUÇÃO
GOVERNOS, CORRUPÇÃO E REVOLUÇÃO
POR LUIZ CLÁUDIO NEVES
Mais um caso de
corrupção em Brasília. Aliás, em Brasília sempre tem caso de corrupção, mas
também em todos os Estados e municípios. A corrupção é um mal que assola a vida
política brasileira e traz o descrédito para nossos senhores representantes.
Será isto verdade? Não, não é verdade. A corrupção não ocorre só no Brasil,
isso é estrutural do Estado capitalista e também da sociedade em que vivemos.
Está presente em todos os países, como formas, profundidades, caminhos,
visibilidades, diferentes. A corrupção é o que existe na política brasileira e
mundial. Isso é apenas um dos elementos do descrédito dos políticos
profissionais, aqueles que vivem de sugar o sangue do povo. Aqueles que mentem,
falseiam, enriquecem à custa do povo.
Eles não são nossos representantes, eles representam os interesses escusos
deles mesmos e só isso.
Daí vem a
pergunta que justifica este texto: como acabar com a corrupção? Acabando com o
que gera a corrupção, com os corruptos, e isto significa, acabar com todos os
governos, pois todos são corruptos. Sim, todos são corruptos entao vamos
destruí-los. Isso não significa trocar um governo corrupto por outro governo
igualmente corrupto e sim acabar com todos os governos. E acabar com todos os
governos pressupõe acabar com o Estado capitalista. Acabar com o Estado
capitalista resolve o problema da corrupção? Eis outra pergunta importante.
Acabar com o
Estado capitalista significa aboli-lo. Abolir o Estado capitalista abre a
pergunta de o que colocar no seu lugar. Como as pessoas irão viver? É possível
viver sem polícia na rua? Sem exército? Sem burocracia? Sem juízes? Sem
governantes e administradores? Parece difícil acreditar nisso. Não, não é
possível, dizem uns. Uns dizem isso por ser seu interesse, tal como os
políticos profissionais, outros por falta de imaginação, capacidade de pensar o
novo, o diferente do que existe.
É possível
abolir o Estado capitalista. Não precisamos de polícia para nos matar, vigiar,
punir. Não precisamos de juízes para nos julgar de acordo com a leis
estabelecidas do estado capitalista que beneficia os ricos capitalistas e
penaliza os pobres proletários. Nada disso é necessário, ou só é necessário
para quem detém o poder. Podemos organizar nossa vida tranquilamente sem
Estado, sem polícia, sem juízes, sem administradores e burocratas. Como? Basta
imaginar estar numa ilha com mais trinta pessoas e lá ter condições de plantar,
colher e viver. É possível escolher um líder que irá dizer o que os outros
devem fazer, como, e ele se reservará ao direito de apenas mandar e não
trabalhar e nada fazer além disso. As coisas poderão funcionar, mas alguns
trabalharão para outros e serão explorados. O líder precisará de apoio e outros
para mandar, haverá divisão social, exploração, privilégios e desigualdade. As
coisas funcionarão, mas não funcionarão bem para todos.
Outra forma é
essas pessoas se autogerirem de forma comunista. Em primeiro lugar, é preciso
estabelecer que não haverá propriedade privada, dirigentes, privilégios. A
organização será comunista autogestionária. A propriedade será coletiva, de
todos, e todos trabalharão. Todos cuidarão de tudo. As decisões não serão de um
líder, mas de todos reunidos em assembléia. Atividades específicas serão
executadas por pessoas escolhidas para este fim e que não são especialistas e
nem decidirão tudo, apenas os detalhes da execução, mas a ideia geral será
definida pela assembléia, ou seja, por todos. Isto é a autogestão comunista,
numa visão simplificada e exemplificada numa experiência social de uma pequena
coletividade.
É possível fazer
isso na nossa sociedade? Com tantos problemas? Como organizar isso tudo? E nem
todos vão querer trabalhar, muitos irão querer liderar, será necessário polícia
e prisão, juízes e burocratas, e assim não é possível autogestão comunista em
grandes grupos. Isso não é verdade e as experiências históricas provaram isso
(Comuna de Paris, Rússia na primeira fase da revolução, Espanha em 1936, entre
outros exemplos).
Porém, para isto
ocorrer, não basta abolir o Estado capitalista, como pensam alguns anarquistas.
É necessário abolir sua base de existência, o capitalismo, a propriedade
privada, fonte de divergências, conflitos, corrupção, antagonismo, pobreza,
miséria, cultura individualista e mercantil. Para abolir o Estado capitalista é
necessário abolir o modo de produção capitalista, toda a base de produção
capitalista. Isso é fácil, não, não é, mas é possível. Basta querermos e
juntarmos a maioria da população em torno deste projeto.
Isto só
ocorrerá, também, através de fortes lutas. As famosas lutas de classes. A
maioria da população vai ter que lutar para conseguir isso. Porque se seria
melhor para todos? Alguns não acham isso, que são os privilegiados, os
capitalistas proprietários das empresas, os líderes que gostam de liderar, os
corruptos e outros que mesmo não sendo privilegiados querem sê-lo graças a
cultura existente e valores associados, querem ser privilegiados. É por isso
que se torna necessário a revolução, ou seja, a associação da maioria da
população contra o Estado capitalista e a propriedade privada, as grandes
empresas. Os trabalhadores devem abolir a propriedade privada, tomar conta das empresas,
fábricas, lojas, bairros, terras, e produzir e distribuir igualitariamente o
produto da produção, de acordo com as condições, colaboração e necessidades da
população. Não basta isto, pois é preciso também abolir o Estado capitalista,
invadir os “palácios” e prédios públicos e fechá-los, transformá-los em museus,
abolir o sistema policial, exército, judiciário, administração, e os parasitas
que vivem nesses lugares, fazendo eles se tornaram pessoas comuns,
trabalhadores como os outros e não estando acima de ninguém. No confronto,
infelizmente, deverá haver violência, mortes. Mas, já dizia Rosa Luxemburgo, o
que significa a morte de milhares de pessoas em comparação com a morte de
milhões produzidas pelo capitalismo todos os anos através da fome, miséria,
violência policial, guerras, homicídios derivados de roubo, ambição,
possessividade, e muito mais?
Revolução sim!!
Só assim nos libertaremos e para aqueles que tem horror à revolução e
violência, então basta defender o mesmo projeto que o nosso e quando vierem os
inimigos da revolução, com suas armas e violência, fiquem na frente e tentem
convencê-los. Se conseguirem, evitarão mortes e sangue, se não conseguirem,
serão os primeiros a tombar e provar que estamos certos. Em qualquer um dos
dois casos, o objetivo será atingido e isso é que o fundamental. Só assim a
corrupção deixará de existir e junto com ela os governos, a fome, a exploração,
a desigualdade, a propriedade privada e tudo o mais que caracteriza o
capitalismo.
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