O ESTADO CAPITALISTA
O ESTADO CAPITALISTA
(texto didático III)
Paulo Cassimiro Arantes
O Estado é uma instituição social que surge com o surgimento das sociedades
de classes. O Estado sempre representa os interesses da classe dominante em
determinado período histórico, em determinado modo de produção (seja ele qual
for). Se existe Estado, é porque existe classes sociais, exploração, dominação.
O Estado representa os interesses da classe dominante, mas nem sempre é
dirigido diretamente por ela. Na maioria das vezes, o Estado é dirigido pela burocracia,
uma classe social de trabalhadores improdutivos que possuem o papel de
dirigir as instituições e empresas. No capitalismo, a burocracia é uma classe
auxiliar da burguesia. Os burocratas são aqueles funcionários públicos que
possuem cargo de chefia, sendo dirigentes. Existe uma hierarquia entre os
burocratas, sendo que ela forma uma pirâmide.
O Estado possui um aparato
repressivo para impedir a rebelião das classes exploradas. Tal aparato
repressivo é composto pelo sistema
policial e pelo exército. Mas
estes só são utilizados quando falham os outros aparatos do Estado, que buscam
legitimar, justificar, conseguir a aceitação e apoio da população. Tais
aparatos são a escola (em todos os níveis: desde a pré-escola até as
universidades), a justiça, o sistema eleitoral, entre outros.
Vamos destacar as escolas. As escolas são
constituídas para inculcar as idéias dominantes, que são as idéias da classe
dominante e os seus valores. Tais idéias são aquelas que justificam e legitimam
a sociedade capitalista, tais como o patriotismo, o culto das autoridades e
heróis nacionais, a noção de que o Estado é necessário, a defesa dos direitos
de propriedade e (falsa) liberdade, a ideologia de que é impossível transformar
radicalmente a sociedade etc. Porém, mais importante são os valores que são
repassados pela escola: a competição, a autoridade, o dinheiro, a riqueza, o
poder. Em cada nível de ensino isto é feito de forma diferente, assumindo
níveis cada vez mais complexos. Mas além do conteúdo (ou seja, das idéias
repassadas pela escola) também as práticas reforçam tudo isto. A organização da
sala de aula, a figura do professor enquanto autoridade, as filas para
crianças, a organização escolar na qual existe uma hierarquia até chegar aos
burocratas (dirigentes), a imagem daquele que sabe e por isso é uma autoridade
no assunto e portanto não deve ser questionado (o professor, o especialista
etc.). A escola cria regras autoritárias (existem casos que os alunos não podem
sair dela sem autorização de seus “superiores”) e a sua prática reforça o seu
discurso. A competição entre os alunos (desde as brincadeiras, a educação
física e seu “esporte” etc.) os preparam para viver numa sociedade competitiva
e reforça a ideologia repassada pela escola de que ela “é natural”, ou seja,
faz parte da “natureza humana”. A escola
é um lugar de “adestramento” dos indivíduos para pensarem, valorizarem e praticarem
o que esta sociedade exige deles, inclusive serem obedientes, respeitarem as
autoridades, acatar a exploração e a infelicidade.
O sistema eleitoral nos países de regime democrático-representantivo é
apenas a face mais visível da democracia burguesa, a democracia dos
capitalistas. A democracia burguesa serve para ludibriar os indivíduos, para
pensarem que participam e decidem o seu destino. A escolha dos governantes se
dá através do sistema eleitoral. As eleições são uma ilusão. Existe todo um
sistema organizado que impede a livre candidatura dos indivíduos (deve estar
filiado a um partido político, que, por sua vez, deve estar de acordo com as
leis que ditam normas e regras visando fazê-los ficar conservadores) e o
processo eleitoral significa que o eleitor deve escolher entre os projetos
políticos (conservadores, mesmo da dita “esquerda”) mas nunca apresentar um. O
que o eleitor faz, na verdade, é escolher quem irá dirigi-lo... quem irá votar
as leis contra ele, irá adotar políticas no interesse da classe dominante...
Atenção: no próximo número, Texto Didático IV: As classes sociais.
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