O QUE É O CAPITALISMO?
O QUE É O CAPITALISMO?
(texto didático II)
Paulo Arantes

O capitalismo é uma forma de sociedade que
surge na Europa Ocidental, durante a chamada Idade Moderna, em substituição à
sociedade feudal (Idade Média) e escravista (Idade Antiga). Ele se caracteriza
pela exploração exercida pela classe capitalista sobre a classe operária. Mas a
burguesia antes de se tornar classe dominante, teve que enfrentar a
classe dos senhores feudais. A classe capitalista foi, pouco a pouco,
expandindo o capital comercial e o capital industrial, provocando a chamada
revolução comercial e a revolução industrial, e assim foi corroendo o poder dos
senhores feudais. Isto ocorreu com alguns conflitos mas que atingiram o seu
auge com as chamadas “revoluções burguesas” (a Revolução Gloriosa, na
Inglaterra; a Revolução Francesa etc.). Antes delas ocorrerem, já havia uma
ampla luta cultural, desde o renascimento, passando pelo iluminismo,
a classe capitalista já produzia as ideologias
que refutavam a ideologia feudal e abriam caminho para a justificação e legitimação
do capitalismo. Com as revoluções burguesas, a classe capitalista assumiu o
poder do Estado e lhe deu novas características (veja adiante texto sobre o
Estado Capitalista).
Agora que terminamos este breve histórico sobre o capitalismo, podemos
apresentar sua essência, ou seja, o que é o modo de produção capitalista.
O capitalismo tem como elemento fundamental as relações de produção nas quais se defrontam frente a frente
capitalistas e operários. A classe capitalista é composta por proprietários dos
meios de produção (máquinas, ferramentas, terras, instalações etc.) que
contratam um conjunto de operários (que são não-proprietários, ou seja, não
possuem os meios de produção, mas tão-somente sua força de trabalho) e os colocam
para trabalhar em troca de um salário. Se a exploração do escravo e do
servo é visível imediatamente, a do operário é escondida pela relação salarial.
O salário parece ser um pagamento justo pelo trabalho realizado, mas não é. O operário é explorado,
embora sua exploração seja difícil de se perceber. Na verdade, tal como o
escravo e o servo, o operário produz as riquezas mas não usufrui delas. Outros,
os não-trabalhadores, é que o fazem. Mas onde está a exploração? A exploração
capitalista reside no fato de que o operário produz todo o excedente e este é
apropriado pelo capitalista.
O capitalista compra os meios de produção (matérias-prima, máquinas,
ferramentas, instalações etc.) e contrata os operários para trabalhar e
produzirem mercadorias. No entanto,
ao terminar a produção, o capitalista vende suas mercadorias e recebe mais
dinheiro do que o investido. De onde vem este dinheiro a mais? Da exploração do
operário. Digamos que o capitalista venda os meios de produção sem eles serem
transformados em mercadorias pelos operários. Ele irá receber o mesmo que
pagou... Uma vez produzindo mercadorias, se cria uma riqueza nova. O valor dos
meios de produção não se alteraria se não fosse o trabalho que efetiva sua
transformação. Quem realiza o trabalho? O operário. É ele que ao transformar a
matéria-prima em mercadoria acrescenta valor à ela. A isto se chama mais-valor (ou mais-valia). O
capitalista não produz nada, não acrescenta valor nenhum à mercadoria. Mas
vende a mercadoria e recebe um dinheiro a mais do que gastou. Com este dinheiro
a mais ele paga o valor dos meios de produção e os salários e ainda lhe resta o
lucro. O lucro do capitalista é produto da exploração da classe
operária. Com este lucro ele irá realizar seus gastos pessoais (familiares), comprar
seus bens de luxo, e, principalmente, reinvestir
na compra de meios de produção e contratação de operários. Nasce assim o que se
chama acumulação capitalista, pois
sempre há um reinvestimento e crescimento do capital. Assim, o capitalista
tende a ficar cada vez mais rico, ter cada vez mais propriedades, o que gera a concentração e centralização do
capital, isto é, do mais-valor acumulado expresso em terras, empresas, ações,
propriedades etc. Assim, os operários produzem um mundo de riquezas e não usufruem
dele. Basta olhar uma grande cidade para ver o número de prédios construídos
por operários da construção civil que, na maioria das vezes, não tem seu
próprio local de moradia. Uns produzem, outros se apropriam; uns criam riquezas
para os outros e vivem na miséria; outros não criam riqueza nenhuma e vivem no
mundo do luxo e do supérfluo produzido com o sangue e as lágrimas de outros.
Atenção: no próximo número, Texto Didático III: O Estado Capitalista
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